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Ser mãe!

Hoje, ouvimos cada vez mais que “ser mãe” não é uma função exclusivamente da genitora. Ao pensarmos um pouco mais, permitindo-se deixar de lado algumas crenças e convicções, o ser mãe pode ser encontrado em alguns personagens da história individual do ser. O que dizer da criança que é acolhida e cuidada pela avó por toda sua vida? Sabemos que jamais devemos substituir nossa mãe por ninguém, inclusive, pelas esposas… Viu rapazes e mocinhas? O que dizer ainda, dos filhos criados por dois pais, aí você vai dizer, mas para a criança existir precisou de uma genitora (mãe) e um genitor (pai). Sim, mas deixando a biologia de lado, gostaria de chamar a atenção para aquela(e) que decidiu-se presentear. Entendo assim, que é dessa pessoa que vem a fonte materna que atravessa e sustenta…pode ser vó, tia, professora, mãe do melhor amigo, madrasta…

Esse texto é provocativo e quer de fato convidar você a pensar fora da caixinha, sem padrões totalizadores e patriarcais. Ser mãe vai além do lugar biológico, é um lugar de pertencimento, de formação, de base, de exemplo, de carinho, de amor e de dedicação. E por falar em dedicação, me parece tão cruel dizer que a “boa mãe” deve renunciar a tudo para ser mãe, às vezes quando escuto isso me pergunto se é obediência ou escolha. Claro que se for escolha é perfeito, mas vale a reflexão. Ser mãe é confiança, sabe aquela que minha amiga Lívia Milani sempre diz… Com fio!

Vai além do estar presente, é qualidade e não quantidade é a presença que se faz na ausência!!! E é interessante pensar que para a sociedade a boa mãe é aquela que não pode deixar os filhos em casa pra ir ao “rolê” com as amigas, é egoísmo, por quê? Será que quando ouvimos uma mulher dizer que não quer ser mãe é porque necessariamente sua relação com a sua mãe foi traumática? Será que o pulo do gato não está exatamente nesse lugar de termos que abrir mão de ser mulher, da profissional, da esposa, das paixões, dos “rolês”…vocês sabem que tem um estudo que aponta o índice de separação entre casais quando os filhos entram na adolescência e que esse índice é bastante significativo…claro, que não é para colocar na conta do filho adolescente as mazelas da relação do casal, mas como será que deve ser acordar um dia e dar de cara com um homem deitado ao seu lado, homem esse que faz um tempo que você não conversa, não transa, não faz planos, que até ontem os filhos dormiam no meio da cama… Daí, ao se olhar no espelho, percebe que alguns de seus grandes sonhos foram abandonados ou deixados de lado, até porque, apesar de estarmos no sec. XXI, é quase que inviável ser mãe, profissional, mulher, cidadã ao mesmo tempo. Não se encontra condições que permitam tais posicionamentos, tanto do ponto de vista sociocultural quanto político e quando se encontra, é raro e às vezes existe uma recusa, pois a descrença é maior que a coragem de se arriscar e assumir a multiplicidade. Então, em nome do estigma “mãe ideal”, nos desgarramos de algumas vaidades entendendo que primeiro vem os filhos para depois ser esposa, a parceira na criação dos filhos entre outros lugares incrivelmente lindos e satisfatórios… Que dramalhão, mas tenho certeza que alguém já pensou nesse lugar, eu inclusive!

 

Aliás, você sabe qual a diferença e o significado das palavras: MÃE, MATERNAGEM e MATERNIDADE? Não? Então vamos lá!

 

MÃE – mulher que deu à luz, que cria ou criou um ou mais filhos. (GOOGLE)

 

MATERNAGEM – psicanálise, técnica empregada na psicoterapia, esp. das psicoses, que busca estabelecer entre terapeuta e paciente, no simbólico e no real, uma relação semelhante à que existiria entre uma “mãe boa” e seu filho. (Dicionário Online Priberam de Português)

 

MATERNIDADE – o estado e qualidade de mãe (GOOGLE)

 

Bem, a ideia aqui é revisitar o ser mãe e quem sabe e se der tempo…kkk se permitir passear um pouco mais nesses outros possíveis lugares que a mãe pode ser e estar…por tanto, a maternidade pode até não ser exclusiva da mulher, mas se é nosso dever ser, que sejamos mais de nós além de mães…

 

Outra coisa que passa pela minha cabeça, nesse instante que finalizo esse texto é que se de fato, somente uma hipótese, ocupássemos o lugar de perfeição, de ideal, como seriam nossos filhos? Carregariam a insegurança de tentar alinhar-se a sua linhagem, ou seja, diante de um ambiente tão “perfeito” e satisfatório, não conseguiriam sair do ninho em busca de outros…

 

Penso que é diante de nossas imperfeições que eles, nossos filhos se preparam para o mundo, que se permitem falhar também e assim buscar a melhor solução, resposta ou lugar!! Longe de mim ser perfeita, mas estou e gosto de estar, perto do lugar de ser alguém que dentro da imperfeição busca para si e para os seus, somente um tanto de felicidade que apenas aguce o desejo de mais, para que a jornada nunca termine.

 

Vou finalizar esse texto, citando um trecho de um livro que estou adorando ler e aproveito para fazer a indicação – Eu sou as escolhas que faço – Elle Luna – Ed. Sextante.

 

“A segurança é a estrada que as outras pessoas querem que a gente escolha. É como esperam que a gente viva a nossa história. Quando escolhemos esse caminho, optamos por viver para alguém ou por algo – e não por nós mesmos. (…) Na verdade, essa é uma estrada bem cômoda; as recompensas podem parecer boas e as opções costumam ser variadas” (pag. 29)

 

Dedico esse texto a minha mãe Iolanda e ao meu filho Danilo. Amo vocês!

 

Autora: Luciana Furtado – Psicóloga

CRP 06/74499