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18 de maio – O combate ao abuso sexual e à exploração sexual de crianças e adolescentes a partir de uma leitura da dinâmica familiar

Para falarmos desse tema, acho importante entendermos sobre o porquê deste assunto ter especificamente a data de hoje para ser tratado. Para tanto, temos a lei Federal 9.970/00 que institui esta data como o dia nacional ao “Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.

Mas você sabe porque esta data foi escolhida? No dia 18 de maio de 1973, Araceli – uma garota de 8 anos, foi brutalmente violentada, estuprada e morta por um grupo de adolescentes de classe média alta do estado do Espirito Santo. Infelizmente o crime, até os dias atuais, não foi totalmente solucionado pela justiça. O caso Araceli então, foi escolhido como um marco para luta e defesa dos direitos humanos de crianças e adolescentes vítimas de abuso e exploração sexual. Vale lembrar que a data é de suma importância, porém precisamos estar em constante alerta para nos mobilizarmos, nos sensibilizarmos e lutarmos durante todos os dias do ano, em defesa de nossas crianças e adolescentes vítimas deste tipo de violência.

Para refletirmos brevemente sobre o assunto, gostaria de destacar a seguinte fala:

“Hoje, de manhã, ela olhou pra mim e falou assim: ‘Eu acordei com medo’. E eu falei: ‘Com medo do quê?’ E ela disse: ‘Com medo de ter que voltar pra casa’.” O medo é de uma criança de dez anos que, há cinco meses, mora com os tios. No boletim de ocorrência, a mãe da menina assume que a filha era abusada desde os quatro anos. Quem conta é a tia, uma professora universitária de 37 anos, que não quer ser identificada e viu a história se repetir. (Fonte: g1.com.br)

Antes da pandemia, tínhamos a favor de nossas crianças e adolescentes o suporte e articulação das redes de apoio, já que estes serviços cumpriam um papel importante de preserva-las e afasta-las, mesmo que por um período de horas, de seus agressores. Hoje, num contexto de pandemia, não podemos fechar nossos olhos sob as consequências do isolamento social: nossas crianças e adolescentes estão tendo que conviver diariamente por um período integral com os seus abusadores.

E agora? Como podemos ajudar estas vítimas? Como ilustra a fala acima, por trás do abuso sexual contra crianças e adolescentes temos uma família adoecida, e para isso precisamos olhar para a dinâmica familiar: precisamos falar sobre famílias incestuosas.

Numa perspectiva de família disfuncional, a violência percebida na geração atual é fruto de histórias de negligências, exclusões e maus tratos vindos de gerações anteriores que não foram tratadas. Tais traumas levaram à uma compulsão em se repetir um padrão de violência que precisa ser rompido. A criança ou adolescente vitimizado descortina segredos familiares, denuncia vínculos e papeis familiares invertidos e pais descomprometidos com a proteção, o cuidado e o amor pela criança ou adolescente. Uma dor familiar e seu universo, precisam ser trazidos à consciência e nossa tarefa enquanto psicólogos é revelar tais segredos sobre assuntos inacabados e ajudar todas as partes envolvidas, a encontrar formas de enfrentamentos que repercutirão sobre as gerações posteriores.

Olharmos para a família e como sua dinâmica está constituída, é sem dúvida uma proposta fundamental para que possamos lutar pelos direitos humanos fundamentais de nossas crianças e adolescentes. No caso Araceli, possivelmente uma dinâmica familiar disfuncional estava por trás das histórias de seus agressores. Precisamos pensar em políticas públicas efetivas direcionadas à saúde de nossas famílias, com objetivo de tratamento e prevenção de violências intrafamiliares. Cuidar da saúde mental intrafamiliar é certamente um dos caminhos possíveis para combatermos de forma efetiva o abuso sexual e a exploração de nossas crianças e adolescentes e garantir-lhes uma infância e adolescência saudável: “Olharmos para a saúde mental de nossas famílias é olharmos para a possibilidade de muitas “Aracelis” continuarem saudáveis e sorrindo entre nós”.

 

Elisângela A. Souza

CRP: 06/81173

 

Referência Bibliográfica: