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Setembro Amarelo – Desenvolvimento e Autonomia

Quando a palavra infância e adolescência vêm em minha mente, duas palavras me ocorrem com muito impacto: DESENVOLVIMENTO e AUTONOMIA; diz Luciana Furtado Psicóloga da Clínica Psico Self. Em mais de 15 anos de atuação como Psicóloga Clínica e Escolar atuando com crianças e adolescentes, me fizeram perceber e acima de tudo, respeitar a capacidade individual de cada “serzinho”, e nosso papel é oferecer as informações necessárias e suficientes para que este seja inserido em seu grupo social, tais como valores, cultura, crenças entre outros.

Levando em conta tal função, a proteção é de suma importância! Simmmm, mas aqui fica uma provocação, qual o sentido da proteção se não a prevenção? Será que estaremos o tempo todo ao lado de nossos filhos, os protegendo de forma plena e absoluta de todo os perigos do mundo? Sendo assim, convido vocês a uma reflexão, o que faz nós adultos (vou me incluir nessa) ter ou alimentar a fantasia de que, ao falar sobre sexo, sexualidade, diversidade, drogas, … e suicídio, estaríamos induzindo as crianças a seguirem tais caminhos? Onde estão as palavras desenvolvimento e autonomia nessa argumentação?

Pois bem, assuntos que nos causam incomodo, de fato geram fantasias que nem sempre são agradáveis e eu diria que na maioria das vezes aterrorizam nossas mentes, causando delírios e alucinações e diante de tais sintomas, buscamos com muita frequência não nos impactar, fugindo, alienando-se, compensando e até negando tais fantasias, agindo como se nada estivesse acontecendo, grande engano!

Agora é hora da minha crítica, não podemos falar sobre drogas, mas nossos filhos estão diariamente sendo impactados por imagens e informações televisivas e eu diria que até dentro de casa, reforçando a ideia de que beber aproxima as pessoas e reforçam laços e nos tornam poderosos. O Álcool é a droga que mais mata, segundo os dados da Frio Cruz, ” o 3º levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira indica não haver uma epidemia de drogas ilícitas no país e aponta o álcool como a substância de maior uso entre os brasileiros. O levantamento, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ouviu cerca de 17 mil pessoas com idades entre 12 e 65 anos em todo o Brasil, entre maio e outubro de 2015″. (leia na integrahttps://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/alcool-mata-mais-que-crack-releva-pesquisa-da-fiocruz). Outro dado bem interessante é o uso de tecnologias que garantem informações em tempo real de diversos assuntos, incluindo sexo, drogas e rock roll – não podia deixar passar essa!!!

Achamos que controlamos tais informações, mas na verdade só nos damos conta que eles estão acessando tais conteúdos, quando já acessaram, e aí, já foi. Como exorcizar tais conteúdos da cabeça da moçada, não dá, até porque é tema de interesse e é muito mais interessante e veja, quando digo interessante é porque nossas crianças e adolescentes são erotizados desde muito cedo, com cenas de filmes e novelas, com conteúdos de internet e na vida real, como escapar, né!!! Penso que tais experiências se incluem em um processo que faz parte do desenvolvimento do ser, sendo bem explorado e orientado, fica a dica!!!

Agora vamos à cólera, a perversão, a maldade, ao pré conceito que inclusive mata quem oferta tais conteúdos as nossas crianças e adolescentes??? Uhhh, será que na tentativa de proteger, temos que destruir o diferente, pois achamos que eles não seriam capazes de serem empáticos, uau, está ficando interessante essa conversa!! Mas aí, quando vamos para o ceio familiar, encontramos lares desestruturados, alienatórios e agressivos, mas falar sobre violência, bulling entre outros, estariam induzindo nossas crianças e adolescentes ao limbo da vilania ou a vitimização? Não será o contrário, a informação a favor da formação de valores e princípios éticos…, não vamos perder o foco, deixamos esse tema para o próximo texto.

Seriam tantos os exemplos, mas, vou trazer apenas mais um, eu juro, nunca se escutou tanto de pais a preocupação com os transtornos alimentares de crianças/adolescentes que inclusive, e como consequência, se tornam canais escancarados para complexos e conflitos de ordens emocionais e sociais, mas vejam só, quando vamos a um restaurante o que assistimos são crianças e adolescentes com os olhos cravados em suas tecnologias de bolso, chupetas virtuais e seus pais fazendo seus pratos e colocando a frente da tela que na verdade rouba totalmente a cena daquele macarrão sem molho e queijo ralado…simples assim, é como ele gosta! Será Neofobia alimentar ou seletiva??? Que dúvida!!

Através desses exemplos que apontei típicos da vida cotidiana, nós estaríamos expondo nossas crianças e adolescentes a quais riscos? Não estou falando apenas dos danos físicos causados pela falta de movimento por ficarem horas sentados na frente de um computador ou segurando os celulares e tablets, os visuais, esses então nem “enxergamos” porque o resultado é a médio e longo prazo, mas sim, daqueles que quando enxergamos já se manifestam através de comportamentos de maior isolamento, falta de interesse de contato familiar, tristeza, ansiedades, depressões…SUICÍDIO!

Chegamos no X da questão que estamos tratando messe mês de Setembro, sim é nosso Setembro Amarelo, uma Campanha de Prevenção ao Suicídio sustentada e apoiada por muitos países. O aumento do índice de suicídio no período de LOCKDOWN aumentou, sinalizando uma queda na qualidade de vida e bem-estar, ocasionando o surgimento e/ou a piora de quadros psiquiátricos, o que justifica o índice de suicídio ter aumentado. Hoje, a cada 45 minutos um brasileiro se suicida, pasmem!

Voltamos à palavra PREVENÇÂO, o que podemos fazer para prevenir tais índices que apontam uma pandemia bem antes da COVID 19. Muitos são os estudos e as análises de tal fenômeno, mas como lidar, pq se falar sobre podemos estimular, prevenir através de ações que estimulam o desenvolvimento e a autonomia dá trabalho aos pais e a sociedade, ficando mais fácil oferecer a “chupeta virtual” e de fato, tudo fica bem, silencioso (nem sempre)? Não seriam capazes de compreender e assimilar as informações oferecidas na tentativa de ofertar esperança na vida? Talvez falte maturidade ou talvez entendamos que são inteligentes o suficiente para se preservarem?!

Afinal de contas, crianças pequenas de 2 anos já conseguem com tanta facilidade levar com o dedinho na tela touch a cenourinha ao coelhinho, é tão fofo e inteligente esse bebê. Pena que na prevenção do suicídio a inteligência necessária é a emocional, a criatividade, a autocrítica, o autoconhecimento e a autoestima. Estamos remando na contramão de muitos países que a cada ano que passa, diminuem tais índices apontados em estudos de organizações sérias e de relevância mundial, onde a prevenção é entendida e respeitada como sendo a melhor ferramenta para proteger nossas crianças e adolescentes contra o suicídio. Por que será que é tão difícil para nós proteger nossas crianças e adolescentes através do desenvolvimento e da autonomia?

Oferecemos uma vida por vezes tão vazia, objeta e descartável, com brinquedos e eletrônicos de última geração para crianças de as vezes 6 anos de idade, o que será que ela entende disso tudo? Aonde queremos chegar com essa estimulação? Compulsões, deficiências e déficits cognitivos e mentais, associados a dificuldades de ordem socioafetivas geradas pela falta de diálogo, empatia, solidariedade e compaixão que são compensadas através de prazeres líquidos e imediatistas.

Nossas crianças e adolescentes possuem capacidades, habilidades, multiplicidades que são castradas pela falta de escuta, atenção e estimulação adequada para o amadurecimento biopsicossocial. Ufa

Agora convido minha querida amiga e colega de equipe, Simone Gagliardi Saldys, para apresentar alguns conceitos da abordagem Pikler que poderão elucidar a importância de olhar e respeitar cada sujeito em sua singularidade, olhar para esse sujeito acreditando em seu comportamento competente dando uma atenção especial aos momentos de cuidado como oportunidades de vínculo afetivo, olhar para suas necessidades garantindo as condições de saúde e bem estar físico e emocional.

Emmi Pikler (pediatra e ortopedista, médica de família e diretora de uma instituição de acolhimento na Hungria) observou 722 crianças e anotou detalhadamente o desenvolvimento infantil nos brindando com seus conhecimentos e conceitos, os quais embasam a abordagem.  Segundo Pikler, “a criança, desde o início de sua vida, durante o exercício de sua atividade autônoma, realiza uma função verdadeira e intensa de construção subjetiva. “O bebê já é capaz de atuar a partir de sua própria iniciativa, ninguém precisa propor , apenas proporcionar que ele  possa ” viver intensamente o prazer de ser” ( Mirtha Chokler).  Com isso, a experiência acumulada irá lhe permitir previsibilidade e antecipação de um efeito, prudência, tomada de decisões e escolhas. A autonomia traz a força do querer, a criança precisa ser protagonista na procura dos recursos que a leve a realizar esse seu querer. O sujeito que se constrói através de sua corporeidade torna-se persistente, seguro de si, mais resistente às frustrações, ele estará pronto “para o que der e vier” por conhecer suas capacidades e limites. Para que o comportamento competente se desenvolva, os adultos devem exercer o papel de mediadores, interferir somente na medida em que a criança precisa, não fazendo por ela, pois ela só se sentirá competente quando conseguir fazer por si só.

“É fundamental que a criança descubra por si só o máximo de coisas possíveis. Se ajudarmos a resolver todas as tarefas, estaremos privando-a do que é mais importante para o seu desenvolvimento psíquico e intelectual” (Pikler).

Diante do que foi abordado, fica evidente o quanto nossas ações poderão beneficiar ou prejudicar a formação integral dos futuros adultos, o que revela a profunda responsabilidade dos pais, educadores, terapeutas ou adultos de referência. A vida não espera, seguem com ela memórias positivas e negativas. Não há como evitar erros durante o percurso, afinal, crianças não vêm com manual de instrução, mas é necessário não deixar para o futuro o que precisa ser acolhido no presente. Procure orientação de um profissional da área da saúde, ele poderá te auxiliar em suas angústias, dúvidas, medos, incertezas… contemplando a saúde mental.

A primeira infância é o alicerce do indivíduo, cada fase de seu desenvolvimento necessita ser vivida em sua plenitude, possibilitando que cada sujeito possa apropriar-se de si e ser feliz.

A vida é muito valiosa!

 

Fontes:

Palestra AACD – Mirtha Chokler

Livro: Vínculo, movimento e autonomia (Suzana Soares)

Instagram:  @movimentopikleriano

@insaberes_leilaoliveira

 

Luciana Furtado – Psicóloga

CRP 06/74499

Simone Gagliardi Saldys – Psicomotricista

CREF 020800-G/SP CBO 2239-15